Adriana Vasconcelos. (Foto: Vitor Tavares/G1)
O assunto chamou a atenção da PF no estado ainda no final de 2010,
quando cerca de 120 canários foram encontrados mortos em um terreno
baldio no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Após as
investigações, ficou comprovado que as aves pertenciam a um traficante
natural de Mato Grosso. A partir daí, a Operação Estalo ainda
identificou a atuação da quadrilha em Santa Catarina, Distrito Federal,
Ceará, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima, São Paulo e Minas Gerais.
"A operação visa reprimir o contrabando desses animais, mais
precisamente canários, da Venezuela e Peru, que eram distribuídos no
país para fomentar a prática de rinha. Conseguimos atuar para reprimir
esse tipo de crime no país. A gente estima que, só no ano passado, a
quadrilha poderia ter traficado até 60 mil animais por ano", falou
Marlon Jefferson de Almeida, superintendente da PF em Pernambuco.
As investigações foram comandadas pela Delegacia de Repressão a Crimes
Contra o Meio Ambiente. Todos os mandados foram expedidos por
Pernambuco. No estado, foram cumpridos dois mandados de prisão
preventiva, seis de busca e apreensão e duas conduções coercitivas. Os
grupos, que traficavam animais em quatro rotas, sendo duas
internacionais, agiam de maneira interligada. "Através de pesquisa em
bancos de dados, conseguimos identificar grande quantidade da apreensão -
mais de mil aves - feita pela PRF, pelas polícias dos estados. Não
havia um trabalho de inteligência para evitar que isso acontecesse",
contou Adriana Albuquerque Vasconcelos, chefe da delegacia que comandou a
operação. Dos presos, quatro foram detidos no Distrito Federal, em
Vicente Pires. Com essas pessoas do DF foram encontrados 400 canários
exóticos apreendidos.
(Foto: Divulgação / Polícia Federal)
Os canários vinham, principalmente do Peru e da Venezuela, por duas
rotas internacionais distintas. Na primeira, os pássaros seguiam pela
Bolívia e entravam no Brasil pela cidade de Corumbá, no Mato Grosso do
Sul, onde um policial civil facilitava a entrada. De lá, eram
transportadas até São Paulo, onde eram encaminhadas para os principais
centro distribuidores, como Minas Gerais e Distrito Federal. Na segunda
rota, as aves entravam pela fronteira do Amazonas e Roraima e seguiam
até o Ceará, onde eram distribuídas. A cada 700 aves transportadas pelas
quadrilhas, 150 chegavam mortas.
"Esse animais exóticos são maiores, por isso o interesse. Inclusive há
uma lei que proíbe a entrada desses animas no país, porque eles poderiam
dizimar nossas espécies nativas, que são menores", falou Adriana
Vasconcelos. As aves eram adquiridas pelos grupos por cerca de R$ 12 e
eram vendidas até por R$ 300. Quando os canários começavam a ganhar
experiência nas rinhas, valiam até R$ 100 mil.
Durante mais de um ano de investigação da Operação Estalo, segundo a
PF, cerca de dois mil pássaros foram apreendidos em aeroportos e
rodovias. "As ações eram discretas, sem chamar atenção para não
atrapalhar o andamento", revelou Adriana. Ainda de acordo com a PF,
todos os indiciados já tinham recebido multas do Ibama, que chegariam,
juntas, a um valor aproximado de R$ 30 milhões. Ao todo, a ação visa
cumprir 20 mandados de prisão preventiva, dois temporários, sete
conduções coercitivas e 37 mandados de busca e apreensão.
"Isso [multas] demonstra a reiteração contínua da atividade criminosa.
Demonstra que eles vêm explorando a atividade por muitos anos e não
tinham intenção de parar. Por isso, os mandados de prisão. Acreditamos
que se eles não fossem presos, continuariam cometendo o crime", revelou
Adriana Vasconcelos. Os suspeitos serão autuados pelos crimes de
formação de quadrilha, receptação qualificada, falsificação de selo,
tráfico de animais silvestres, maus tratos e contrabando. As aves serão
levadas para o Ibama para serem reintroduzidas, posteriormente, ao
habitat natural.
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